Plataforma digital de comunicação multimédia para a promoção e divulgação do concelho de Alijó. Espaço cívico de debate, de informação, de opinião plural e de defesa dos interesses concelhios.

A apanha da azeitona no Douro

A dureza do trabalho e as condições meteorológicas, por vezes extremas, caracterizam a realidade em que ocorre tal serviço.

0 1.035
Luísa Teixeira

Natural da Póvoa do Douro. Escritora

+ artigos

O nevoeiro e o frio do mês de Dezembro anunciam o momento da apanha da azeitona na região do Douro.

Na apaixonante paisagem pintada de diversos e lindos tons, avistam-se os toldos verdes, espalhados por olivais e vinhas.

A dureza do trabalho e as condições meteorológicas, por vezes extremas, caracterizam a realidade em que ocorre tal serviço.

Todos participam na difícil tarefa, “ (…) os homens varejam, ou seja com as varas batem nos ramos da oliveira com força para a azeitona cair, as mulheres e as crianças ocupam-se dos toldos, que em tempos mais antigos eram os panais ou mantas. Colocam-se em redor da oliveira, ou seja de maneira a abranger a copa, para que a azeitona caia dentro deles” (Teixeira, 2018: 95).

Terminada a vareja, inicia-se o rebusco “ (…) percorrendo-se o terreno para apanhar alguma azeitona que tenha ficado no chão” (Teixeira, 2018: 95).

Em tempos passados, “ (…) apanhada e erguida, ou seja limpa sem folhas, ensacavam-na. Quando o dia de trabalho estava a terminar, carregavam os sacos de azeitona nas angarelas dos cavalos, burros. Era o único meio de transporte que conseguia transportar a carga por caminhos difíceis e perigosos nas encostas ingremes da região. Em outras situações os trabalhadores carregavam às costas até à pousa, que era o sítio junto da estrada onde juntavam os sacos, para depois serem levados nos carros de bois. Muito mais tarde é que surgiram as carrinhas e os tratores. Assim era transportada a azeitona” (Teixeira, 2018: 102).

Em casa “(…) era colocada numa tulha ou seja lugar onde ficava guardada e conservada até que a azenha abrisse! Alguns lavradores misturavam sal para a conservar, hoje em dia há quem faça ainda isso! Outros, logo que a apanham levam-na para a azenha” (Teixeira, 2018: 104).

Chegado o momento de fazer o azeite, o lavrador anseia por saber quantos quilos de azeitona são necessários para um litro de azeite. No final, paga a maquia ou seja o pagamento do trabalho da azenha, em azeite ou em dinheiro.
Por fim, leva o líquido de ouro, para o seu lar.

Terminando assim, o trabalho árduo da apanha da azeitona!

Referência:
TEIXEIRA, L. (2018). Um trio à descoberta no Alto Douro Vinhateiro – Lugares com História. Lisboa: Edições Vieira da Silva.

Comentários
Loading...