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A propósito do Miradouro da “Penadaia” em S. Mamede Ribatua

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António Rocha

Deputado municipal independente eleito na lista do BE

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Um olhar pelo horizonte na “Penadaia”, neste deslumbrante miradouro natural da estrada municipal de S. Mamede Ribatua – Safres que ao longo de vários anos tem sido esquecido mas apreciado isoladamente por visitas ocasionais ou sem qualquer referência identificativa – por vezes e porventura com referenciada de residentes – eu próprio, há muitos anos atrás, no cruzamento da vida com turistas na nossa região, fiz questão de mostrar aquela soberba paisagem, é claro reportando á época, muito diferente da que é hoje mas nem por isso deixando a substância, para quem visitou, de ficar pasmado com a exuberante beleza natural – balbuciando-se sobre como era possível não constar no horizonte dos roteiros turísticos internacionais.

Ora neste miradouro natural, já existente, bastariam alguns ajustes de enquadramento na paisagem para, sem dúvida, ser uma opção a ter em conta, até pela área envolvente que, decerto, permitiria paragem e estacionamento de viaturas.

Pois bem agora com uma paisagem diferente, por via da albufeira da barragem de Foz Tua e da proveniência das atribuições financeiras da ADRVT – Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua, resolveu o município de Alijó, neste mesmo local, umas dezenas de metros antes do miradouro natural que atrás refiro, adjudicar obra de um segundo miradouro por 85.000 euros. Muito bem, a freguesia de S. Mamede Ribatua, com a área mais alagada por consequência da construção da barragem, merece e merecia muito mais, porque como sabemos quase nada se obteve das contrapartidas da construção do complexo hidroelétrico.

A questão é a seguinte: será que este investimento, pelo valor financeiro que comporta, não deveria ser racionalizado distribuindo o investimento por alguns pontos de interesse comum da freguesia? Senão vejamos: a existência do trilho internacional tem quatro pontos (se não mais) de enquadramento de elevado interesse para os caminhantes/visitantes:

1 – O local de partida – Jardim das laranjeiras, início do trilho internacional;

2 – Largo por cima das “Lajes Más”, nome que deu origem ao trilho como “Fragas Más”;

3 – Largo ou parque da ASM – Associação Santo Mamede, junto à igreja matriz, atualmente dos mais visitados, isoladamente, por influência da acessibilidade, por visitantes oriundos de diversos países;

4 – Ponte Romana, local de referência patrimonial.

Ora na minha modesta opinião se o investimento (85.000€) fosse dividido e aplicado nestes pontos o resultado à partida seria muito diferente revitalizando estes espaços e simultaneamente gerar mais e melhor oferta aos visitantes. Resultaria:

– O jardim das laranjeiras beneficiava das tão ensejadas quedas ou espelhos de água, no ribeiro local;

– Nas “Lajes Más”/”Fragas Más” teríamos um miradouro a meio do trilho, local obrigatório de paragem para os caminhantes, com uma outra perspetiva de vista;

– Largo da ASM/Igreja matriz, já em espaço urbano – assim a imaginação e técnica aprouvessem ideias de projeto de molde a criarem um ótimo local de lazer – área de expansão penso não ser problema;

– Ponte Romana – abstenho-me a comentários, deixo para os especialistas e conhecedores na matéria – o abandono tem sido uma constante em simetria com o património municipal.

Concluindo: com esta diversidade de plano e investimento, sem porventura acréscimo de custos adicionais ao valor acima referido, haveria mais oferta aos visitantes e em simultâneo vivificavam a freguesia de S. Mamede Ribatua, inspirando também a implementação e animação da economia local.

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