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Alijó Destino Turístico?! (2)

Estão aqui presentes aspetos das aceções referidas na nota anterior: um território determinado, um conjunto de serviços e produtos, uma comunidade, uma imagem percecionada pelos visitantes, opções de gestão pelos responsáveis pela governança desse território.

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António Martinho

Natural de Santa Eugénia. Professor aposentado

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Atentemos, então, na definição de Destino Turístico, tal como é considerado pela Organização Mundial de Turismo: «um Destino é um espaço físico, no qual o visitante permanece pelo menos uma noite. Inclui produtos turísticos tais como serviços e atracções de suporte e recursos turísticos à distância de um dia de viagem de ida e volta.

Possui delimitação física e administrativa que circunscreve a sua Gestão, bem como uma imagem e percepção definindo a sua competitividade de mercado. Os Destinos locais incorporam vários stakeholders e habitualmente uma comunidade de acolhimento e podem associar-se em redes por forma a constituir-se Destinos de maior dimensão. Os Destinos podem identificar-se a qualquer escala, desde um país, uma região ou ilha a uma cidade, vila ou centro».

Estão aqui presentes aspetos das aceções referidas na nota anterior: um território determinado, um conjunto de serviços e produtos, uma comunidade, uma imagem percecionada pelos visitantes, opções de gestão pelos responsáveis pela governança desse território. Em qualquer dos casos, reconhece-se a exigência clássica, que distingue o turista do excursionista – a permanência de um dia, no mínimo. E já não é coisa pouca. É que há quem confunda turismo com as excursões às amendoeiras em flor, ou as outras, aqui bem perto de nós, das subidas do rio Douro, de barco, com o imediato regresso, de comboio.

A imagem, bem presente na Régua, no verão, ao início da tarde, quando chegam os barcos do Porto e uma parte significativa dos seus passageiros segue em fila indiana, para a estação da CP. Turismo? Mas que turismo? Puro excursionismo.

O Destino exige um Território. Com vantagens comparativas próprias, capazes de atrair e fixar, enfim, de satisfazer as necessidades de quem o procura.

Vem a propósito lembrar uma reflexão sobre o Porto, de quem tinha responsabilidades de promoção externa do Norte de Portugal, aqui há uns anos, quando exerci funções de direção na Agência Regional de Promoção Turística. Num tempo, aliás, em que Porto e Douro, enquanto destinos Turísticos, se complementavam! Disseram-me, então (vão lá dez anos), que a cidade do Porto era, vinte anos antes, um ponto de passagem entre Coimbra e Braga. Bom! O que é agora, todos o sabemos… Um espaço físico – a Área Metropolitana, essencialmente, a originária, com vários produtos turísticos, desde o Touring Cultural à Gastronomia e Vinhos, passando pela organização de Congressos, pelo Turismo Náutico e pelas escapadelas de fim-de-semana, ou outras – o City e Short Breaks -, uma entidade gestora, a Câmara Municipal do Porto, em articulação, mais ou menos perfeita, com outros municípios, utilizando bem as virtualidades de uma Junta Metropolitana, parceiros dinâmicos e uma comunidade que souberam percecionar as vantagens do turismo nas suas diversas componentes. Progressivamente, o Porto apercebeu-se que a promoção externa era a opção a seguir.

E várias marcas contribuíram para isso: desde o Vinho do Porto, que se vai produzindo aqui, no Douro, até ao clube emblemático da cidade, que também soube afirmar-se a nível mundial, ao aeroporto, que se foi consolidando e até, mais recentemente, ao terminal de cruzeiros do porto de Leixões. Por fim, convém ter presente, um Marketing digital muito bem concebido e executado.

Assim, não se estranha que, em 2017, tenha sido eleito por turistas de todo o mundo o Melhor Destino Turístico Europeu.

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