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Alijó Destino Turístico?!

“O Destino é a unidade territorial que congrega dinâmicas entre os fluxos da procura e o sistema de oferta, que, por sua vez, deverão ser alvo de coordenação ou planeamento.”

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António Martinho

Natural de Santa Eugénia. Professor aposentado

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Será (poderá ser?) Alijó um destino turístico? Em caso afirmativo, que fazer para o potenciar? Como melhorar a oferta? Como promover os seus produtos? Se não é, ainda, será que pode vir a ser? O que fazer, entretanto?

Estas e outras perguntas merecem uma resposta. Que preocupam os que investem/investiram em turismo, disso não tenho dúvida.

Por vezes, toma-se a nuvem por Juno, o desejo pela realidade. Mas importante, mesmo, é questionarmo-nos e encontrarmos em conjunto respostas ajustadas à nossa realidade.

Os dois artigos que escrevi recentemente no semanário A Voz de Trás-os-Montes, um comentário de um conterrâneo nosso a propósito de uma reflexão sobre uma situação concreta e a leitura de uma notícia sobre a atividade da Câmara Municipal no setor motivaram-me a escrever umas notas acerca desta temática.

Documentos de planeamento da Região do Norte, como a Agenda Regional de Turismo para o Norte de Portugal definiram, há anos, quatro destinos turísticos na região: Porto; Minho; Trás-os-Montes e Douro.
Comecemos pela definição de Destino Turístico.

Se nos restringirmos ao ponto de vista da Geografia, talvez. O território de um município sempre agregará certos recursos e ambientes geográficos. E na linguagem normal pode considerar-se que quando se visita um município, ficando por ali, pelo menos, uma noite, se deslocou a um determinado Destino Turístico.

Já em termos da Economia, a pretensão enunciada se tornará mais problemática, pois se realça que “o Destino é a unidade territorial que congrega dinâmicas entre os fluxos da procura e o sistema de oferta, que, por sua vez, deverão ser alvo de coordenação ou planeamento.” Não se atém simplesmente a um determinado espaço. Obriga a uma atenção especial para a interação da procura com a oferta e exige coordenação e planeamento. Ora, será legítimo questionar, e os estudiosos desta matéria fazem-no, se se pode planear o turismo em espaços territoriais tão pequenos como são, naturalmente, a generalidade dos municípios.

Será, ainda, interessante analisar o conceito de Destino Turístico na perspetiva da Sociologia, em que “se pode constatar duas ordens de ideias distintas, ainda que complementares entre si, uma em que o Destino é associado à culturalidade do visitante e outra em que o mesmo é reflexo e/ou a imagem da vontade política de quem o estrutura.” Nesta aceção, será muito importante ter presente os interesses do consumidor turista, mas de igual modo a visão e a vontade dos responsáveis políticos pelo território.

Se estes pontos de vista são importantes quando se estuda e se pretende aprofundar esta problemática, temos que reconhecer que nos movemos num campo académico. Numa nota como esta não se mostra vantajoso seguir esse caminho. Deixemo-lo para os investigadores destas coisas. Ângela Sofia Martins Lopes, que tenho vindo a seguir nestas referências, na sua tese, opta, como a generalidade dos que se interessam por estas questões, por apresentar a definição da Organização Mundial de Turismo. Voltaremos ao assunto, partindo desse conceito que as instituições do setor pacificamente aceitam como sintetizadora e indo de encontro às diferentes perspetivas e interesses.

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