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Anta da Fonte Coberta

A palavra megálito resulta de um composição etimológica com origem no grego em que mega significa grande e lithos significa pedra. Daí ter sido associado aos monumentos megalíticos, de que a Anta da Fonte Coberta no concelho de Alijó é um exemplo, o significado simples de uma construção com caráter monumental baseada em grandes blocos de pedras que eram dispostas em forma de esteio com ampla laje de cobertura.

Mas o fenómeno cultural designado por Megalitismo é muito mais complexo, espelhando uma realidade muito antiga do homem conceber e encarar a morte ou a sua relação com o universo durante o período Pré-Histórico mais recente. Um monumento megalítico poderá surgir como um monumento funerário, caso das “antas“, “dólmens” ou “mamoas“, ou poderá surgir como um monumento de culto religioso,  caso dos “menires” e “cromoleques” que têm vindo a ser interpretados como monumentos associados ao culto dos astros e da natureza, sendo fundamentalmente considerados como espaços destinados a rituais religiosos e de encontro tribal.

Este fenómeno cultural difundiu-se em maior escala pela fachada atlântica europeia a partir do 5º milénio a.C e manteve-se em permanência até à Idade do Bronze, cerca do 3º milénio a.C .

Atualmente é consensualmente aceite que os “dólmens” ou “antas” eram originalmente cobertos por uma ampla “mamoa” destacada na paisagem, constituída por uma couraça de terra e de pedras mais pequenas que envolviam a câmara onde eram sepultados em coletivo os indivíduos da época.No fundo, eram pequenas colinas artificiais, também designadas por “madorras”, que emergiam num determinado território com um significado simbólico.

No caso da Anta da Fonte Coberta, estamos perante um monumento megalítico de médias dimensões, com uma câmara poligonal de enterramento ladeada por 7 esteios e laje ou tampa de cobertura. Também aqui existe a organização de um pequeno corredor ou vestíbulo de acesso demarcado a partir de duas lajes laterais fincadas no solo.

Os primeiros estudos realizados sobre o monumento devem-se a Henrique Botelho que nos finais do século dezanove aqui enterveio com as metodologias de exploração arqueológica próprias da época. Mais tarde, em 1938,  foi novamente objeto de um estudo mais sistemático, através de uma escavação dirigida pelo geólogo João Manuel Cotelo Neiva.

Mais recentemente, em 1997, a Anta da Fonte Coberta foi alvo de uma operação de escavação, conservação e restauro que, entre outros aspetos, reconstituiu parte da sua antiga “mamoa” e recolocou alguns dos esteios nos seus respetivos lugares.

Na parte superior da laje de cobertura existem algumas “fossetes” ou “covinhas” e num dos esteios um sulco que evidencia uma gramática decorativa característica do universo simbólico desta período cronológico. No interior, num dos esteios, deteta-se ainda restos de pinturas a vermelho ou ocre.

Tem-se verificado que em muitos casos existe um absoluto desrespeito por este importante monumento do concelho de Alijó, já que foram frequentemente observadas algumas situações de acendimento de fogueiras no interior da câmara funerária, o que coloca em risco as já ténues e muito impactadas pinturas.

De salientar que a Anta da Fonte Coberta é classificada como Monumento Nacional (MN) através do Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 e como tal qualquer atentado cometido contra o a sua integridade poderá ser considerado como um crime público.

Localização

Horário de funcionamento

Funcionamento permanente de segunda-feira a domingo

    

Património Arqueológico

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