Plataforma digital de comunicação multimédia para a promoção e divulgação do concelho de Alijó. Espaço cívico de debate, de informação, de opinião plural e de defesa dos interesses concelhios.

Apita o comboio, ou não apita?

As pessoas com memória terão que ficar preocupadas. Porque há precedentes muito negativos. Razão para os Autarcas e os Deputados eleitos pelos círculos do Douro defenderem, de forma clara e inequívoca, a manutenção da atual oferta. Para que não acordemos um dia destes e não ouvir apitar o comboio.

0 1.053
António Martinho

Natural de Santa Eugénia. Professor aposentado

+ artigos

Ter-se-ão iniciado, recentemente, obras entre as estações de Caíde e Marco de Canavezes que exigiam, para maior rapidez, o encerramento da Linha do Douro entre essas duas estações. Far-se-á transbordo, entre uma e outra, através de autocarro, foi-nos dito.

Apesar de tudo, reconhecia-se o objetivo como bom. As obras são necessárias; a eletrificação da linha em toda a sua extensão é premente; começar por este troço tem lógica, dando continuidade ao que já está feito.

No entanto, as preocupações começaram a surgir e, felizmente, porque há durienses mais atentos à problemática do transporte ferroviário surgiram cedo alguns alertas. Daí que, na página do facebook de Luís Almeida, encontremos esta afirmação: «É tirar ilações de mais um ataque ao vale do Douro. Além do absurdo dos horários verifica-se que foram ainda mais penalizadas as ligações aos Pendulares. Também se nota que acabam os Interregionais e agora todos os comboios param em todas as estações e apeadeiros.», ilustrada com uma imagem dos horários. Ora, a CP, em resposta às preocupações públicas de autarcas durienses, como a Presidente da Junta do Pinhão, “garante que não vai haver supressão de comboios na linha do Douro”. Julho do corrente ano.

A Ferrovia entrou nas opções estratégicas do Governo. Ótimo. É preciso modernizar as linhas e o material circulante. Estamos todos de acordo. Mas este meio de transporte, hoje, claramente, mais vantajoso para a economia e para o meio-ambiente, deve ser pensado a nível nacional e não regional. Expliquemo-nos melhor. Ligar Sines à Europa, com uma linha nova, salta aos olhos como uma evidência. Não precisam de nos fazer um desenho.

Como também se reconhece a oportunidade de maior e mais robusto investimento na Linha do Douro. O minério de Moncorvo deve ser transportado pelo caminho-de-ferro e não pela via navegável fluvial. A Europa está logo ali, com os comboios de alta velocidade. Então, urge repor a linha entre o Pocinho e Barca d´Alva, para restabelecer a ligação a Salamanca. Não nos dizem também que o mercado aqui ao lado nos pode trazer muitos mais turistas para o Douro?! Abramos-lhes as portas, ao invés de as fechar como aconteceu em 1988 – 30 anos, feitos a 18 de outubro passado.

A direção da CIM Douro, na sua reflexão preparatória para a estratégia de médio prazo da União Europeia, consubstanciada no que há-de ser a estratégia 2030, num documento remetido às instâncias Comunitárias sobre a região do Douro, reitera a importância da ferrovia para o desenvolvimento da região e não esquece a ligação a Espanha.

Em janeiro de 2017, entre a CP e três operadores de Turismo Fluvial foi assinado um protocolo que tinha por objetivos “reforçar o transporte de passageiros na Linha do Douro” e fortalecer “a atractividade da marca turística do destino Douro”. Louvável, sem dúvida. E agora?…

A situação descrita constitui fundamentadas razões para que as obras não tragam outras implicações que não seja o incómodo e os inconvenientes que resultam do corte do tráfego entre as estações referidas. Não se compreende, assim, a notícia que o DN publica dia 13 de novembro, a partir de um take da Lusa: «Serão realizados, nos dois sentidos, seis comboios entre Marco de Canavezes e Régua e ainda dois comboios, em ambos os sentidos, entre Régua e Pocinho.» Por outras palavras, diminui, e muito, a oferta de transporte ferroviário nesta linha.

As pessoas com memória terão que ficar preocupadas. Porque há precedentes muito negativos. Razão para os Autarcas e os Deputados eleitos pelos círculos do Douro defenderem, de forma clara e inequívoca, a manutenção da atual oferta. Para que não acordemos um dia destes e não ouvir apitar o comboio.

Comentários
Loading...