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Frei Francisco dos Prazeres Maranhão, Ilustre Favaiense

Vila de Favaios, Rua Direita
0 1.567
Manuel Carlos Figueiredo

Natural de Favaios. Historiador

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Francisco Fernandes Pereira, nasceu em Favaios em 8 de Julho de 1790, mas foi batizado em Alijó. Era filho de Francisco Fernandes, de Favaios, e de Maria Pereira, da Granja, Alijó (ADVR :: Arquivo Distrital de Vila Real s.d., Paróquia de Alijó, Livro de registo de baptismos de 1774 – 1793).

Em 3 de Maio de 1812 entrou no Convento de S. Francisco, no Porto, e nesse mesmo ano partiu para o Maranhão, no Nordeste do Brasil, onde completou o noviciado. Em 4 de Maio de 1813 professou no convento da sua ordem, escolhendo o nome de frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres. Ao seu nome religioso acrescentou o topónimo Maranhão, evidenciando o amor à terra em que viveu e à qual se dedicou.

Fez uma viagem a Pará e regressou a Portugal em 1814. Chegou a Lisboa em 28 de Outubro e foi enviado para o Convento de S. Francisco, em Vila Real, onde entrou em 6 de Dezembro.

Voltou ao Maranhão mas em 1820 regressou definitivamente a Portugal.

Decorridos onze anos após a sua entrada no Convento de Vila Real foi transferido para o Convento da Fraga, percorrendo posteriormente vários conventos: Coimbra, Serém, Monte de Viseu, onde foi Guardião, Melgaço e Torre de Moncorvo.

Encontrava-se neste convento quando, no contexto da vitória dos Liberais, Joaquim António de Aguiar, ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, de D. Pedro IV, extinguiu as Ordens religiosas por Decreto publicado em 30 de Maio de 1834.

Esta medida tomada pelos liberais originou uma grande mudança na vida de Frei Francisco dos Prazeres Maranhão. Retirou-se, então, para a sua aldeia, Granja, em Alijó.

Estudioso e trabalhador dedicou-se à escrita abordando assuntos relacionados com a numismática, a arqueologia, história local e regional, geografia, corografia e suscitando questões sobre o desenvolvimento do país.

Como resultado do seu trabalho escreveu as obras que se indicam:

Discurso a favor da Associação da Propagação da Fé, para ser apregoado aos habitantes das aldeias, etc., Porto, 1934.

Dicionário numismographico luzitano, em que se descrevem as moedas antigas de Portugal. Lisboa: Galhardo & Irmãos, 1835.

Breve notícia da terra de Panoyas , cantão famigerado na antiguidade, do qual se formou a melhor parte da comarca de Villa-Real, por Um Flaviense. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1836.

Index Historico do Elucidario de Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo de Gradiz. Precedido de huma breve noticia da Vida, e Escriptos do mesmo Author. Composto por hum ex-habitante da Fraga. Dado ao prelo por António Fernandes Pereira de Favaios. Lisboa: Galhardo & Irmãos, 1836.

Taboa geografico estatistica luzitana ou diccionario abreviado de todas as cidades, villas e freguerzias de Portugal, com sua populacão, legoas de distancia, correios, e feiras principaes e juntamenta de seus rios, montanhas, cabos, portos, &c: Com o appendix d’uma breve noticia das actuaes possessoens de Portugal no ultramar, por Um Flaviense. Porto: Typographia Commercial Portuense, 1839.

Foi publicada uma segunda edição aumentada desta obra, no ano de falecimento do autor, com o título:

Dicionário geographico abreviado de Portugal e suas possessões ultramarinas, no qual se dá notícia de todas as cidades, vilas e freguezias de Portugal, com sua população, leguas de distancia, correios e feiras principaes; seus rios, montanhas, portos etc. E juntamente se descrevem todas as ilhas e porções continentaes que Portugal possue atualmente no ultramar: suas povoações, plantas, animaes, minas, rios, portos, comercio etc., por Um Flaviense. Dado ao prelo por António Fernandes Pereira. Porto: Typographia de Sebastião José Pereira, 1852.

Colecção de etimologias brasileiras, na Revista do Instituto Histórico-Geográfico do Brasil, 1846.

Catálogo alfabético em Português dos nomes dos Santos, com a indicação do dia da festividade de cada um, etc., Porto, 1847.

Mas a sua investigação tinha começado no Maranhão, com o manuscrito Poranduba Maranhense, ou Relação Historica da Provincia do Maranhão. Em que se dá notícia dos sucessos mais celebres, que nella tem acontecido desde o seu descobrimento até ao anno de 1820; como também das suas principaes producções naturaes, etc. Com um mappa da mesma provincia, e um Diccionário abreviado da língua geral do Brasil.

O trabalho inclui, em apêndice, este Dicionario abreviado tupinambá-portuguez, sobre cuja autoria, Frei Francisco dos Prazeres escreve:”elle foi composto pelo frei Onofre… (nada mais sei do seu nome), antigo missionario dos indios, entre cujas obras manuscriptas eu o descobri na livraria do convento de Santo Antonio do Maranhão.” (Online: Poranduba Maranhense (Prazeres 1891) – … s.d.).

O manuscrito foi oferecido pelo autor, através do Sr. Francisco Adopho de Warnhagem, Visconde de Porto Seguro, ao Instituto Histórico Geográfico do Brasil. Como reconhecimento, o Instituto concedeu ao autor o diploma de sócio passado em 15 de Março de 1845, que lhe foi enviado, e nomeado membro correspondente daquele organismo. (Memórias Históricas Escritas pelo Doutor César Augusto Marques s.d.)

O manuscrito Poranduba Maranhense, ou Relação Historica da Provincia do Maranhão foi publicado em 1891 na Revista Trimensal do Instituto Historico e Geographico Brazileiro. (Online: Poranduba Maranhense (Prazeres 1891) – … s.d.)

De facto, trata-se de um trabalho que aborda a língua falada no Maranhão naquela época e regista informações sobre a região, como a população, número de escravos, localização das fazendas, formas de cultivo, etc.

O manuscrito é o testemunho da época de um frade que residiu em S. Luís, capital do Maranhão, no princípio do século XIX e que se interessou pela região onde vivia. Frei Francisco do Maranhão foi certamente um historiador que contribuiu para enriquecer a historiografia maranhense.

Frei Francisco dos Prazeres do Maranhão usou o pseudónimo Um Flaviense em várias obras suas, porque entendia que antigamente Favaios se escrevia Flavias. (Maranhão 1852, 113). Encontra-se a mesma opinião quando se esclarece que o autor é natural de Favaios e não de Chaves: “…o nome de Flaviense, que elle tem tomado em algumas das suas obras, não é tirado de’Aquasflavias; mas sim de Flavias, hoje Favaios, em cuja Villa o mesmo Auctor viveu muitos anos.” (Maranhão 1852, 89)

Como já expliquei (Figueiredo 2017, 116), os grupos de consoantes latinas fl e pl quando passam para português dão ch. Os Romanos designavam Chaves por aquae flaviae, tendo o segundo elemento dado origem a Chaves, com a passagem de fl para ch. Vila Chã é designada Villa Plana, nas Inquirições de 1220, evoluindo para Villa Cham e depois para a designação actual, com a passagem do grupo Pl para Ch.

Mau grado o erro em que incorreu e influenciou os seus conterrâneos até aos nossos dias, sobressai o amor que Frei Francisco tinha pela sua terra natal e, por isso, assinava orgulhosamente Um Favaiense.

Frei Francisco dos Prazeres do Maranhão, com o nome secular de Francisco Fernandes Pereira, faleceu na Granja em 1852. Ainda era vivo em 2 de Abril deste ano, quando terminou o Dicionário geographico abreviado de Portugal e suas possessões ultramarinas, como informa o autor na sua nota ao público, esclarecendo que a doença o tinha obrigado a trabalhar muito lentamente.

O seu irmão, António Fernandes Pereira, na dedicatória do livro a José da Costa Lobo, do Conselho de Sua Magestade, informa que o Padre Francisco dos Prazeres do Maranhão tinha morrido, mas não indica qualquer data. Na pesquisa efectuada nos registos Paroquiais de Favaios e de Alijó não se encontrou o registo de óbito daquele frade.

Bibliografia
ADVR :: Arquivo Distrital de Vila Real. http://www.advrl.org.pt/documentacao/pesquisa_navv2.html (acedido em 03 de Janeiro de 2018).

Figueiredo, Manuel Carlos Alves. As Povoações do Concelho de Alijó Uma História Milenar. Lisboa: Edições Fénix, 2017.

Fonte, coordenado por Barroso da. Dicionário dos Mais Ilustres Trasmontanos e Alto Durienses. Vol. I. Guimarães: Editora Cidade Berço, 1998.

Frei Francisco dos Prazeres Maranhão. Vol. 16, em Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa, Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, Lda.

Maranhão, Frei Francisco dos Prazeres. Breve notícia da terra de Panoyas, cantão famigerado na antiguidade, do qual se formou a melhor parte da comarca de Villa-Real. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1836.

—. Dicionário Geográfico Abreviado De Portugal E Suas Possessões Ultramarinas. Porto: António Fernandes Pereira, 1852.

Memórias Históricas Escritas pelo Doutor César Augusto Marques. https://books.google.pt/books?isbn=8591157702 (acedido em 03 de Janeiro de 2018).

Online: Poranduba Maranhense (Prazeres 1891) – …. https://groups.google.com/forum/#!msg/nimuendaju/80l7pM1VKSs/DXrMrtv24fsJ (acedido em 03 de Janeiro de 2018).

Silva, Innocencio Francisco da. Diccionario Bibliographico Portuguez. Vol. 3. Lisboa: Lisboa: Imprensa Nacional, 1859.

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