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Linha do Douro, caminho de ferro impossível

O caminho de ferro impossível trouxe uma nova vida para a região, quebrou o isolamento e ajudou a combater a filoxera “(…) motivando as gentes que nela permaneceram a trabalhar nas vinhas (…) arregaçaram as mangas e demonstraram uma vez mais, a sua força, coragem e determinação.

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Luísa Teixeira

Natural da Póvoa do Douro. Escritora

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As viagens deixam-nos lembranças “(…) a última que fiz no comboio pelos trilhos de ferro no Douro, ficou-me na memória” (Teixeira, 2017:5).

A emblemática Linha do Douro, Património Nacional, faz parte da história e da deslumbrante paisagem da região do Alto Douro Vinhateiro (Teixeira, 2017:6).

Implantada à beira rio, permite ao longo do seu percurso, contactar o paraíso, mas nem tudo foi divino.
A sua construção confirma a bravura e determinação do Homem, que edificou uma das mais belas linhas do mundo, inicialmente chamado caminho de ferro impossível, “(…) desejado por muitos e detestado por outros” (Teixeira, 2017:11).

Muitos de vós, desconhece as condições em que vivia o povo antes da sua chegada.
A escassez de acessos e a pobreza contribuíam para o isolamento das aldeias.

“Os caminhos eram tão ruins, perigosos e por vezes intransitáveis, era tanto o perigo, que antes de iniciarem a viagem confessavam-se e rezavam a Deus! Quem ficava também rezava por quem partia, pois, não sabiam se sobreviveriam a tal viagem! Realizada a cavalo, em carros de Bois, de carroça (…) faziam-se acompanhar sempre por uma arma para se protegerem dos ladrões (Teixeira, 2017:8).

O rio Douro era uma via de comunicação, uma porta de acesso a outro mundo “(…) rio selvagem com muitos cachões, deveras perigoso, uma verdadeira sorte para quem se atrevia a percorrê-lo e conseguia” (Teixeira, 2017:10). Os barcos rabelos desempenharam outrora um papel fundamental, não só no escoamento do vinho do Porto, para o Porto e Gaia, como no regresso, traziam mantimentos, novidades que não havia na região.

A chegada do comboio “(…) gerou o caos, muitos pensavam que o fim do mundo estava a chegar, associavam o comboio ao demónio, algo vindo do inferno” (Teixeira, 2017:55).

O caminho de ferro impossível trouxe uma nova vida para a região, quebrou o isolamento e ajudou a combater a filoxera “(…) motivando as gentes que nela permaneceram a trabalhar nas vinhas (…) arregaçaram as mangas e demonstraram uma vez mais, a sua força, coragem e determinação. Através do comboio receberam do governo vários materiais para a recuperação dos vinhedos, como adubos, sulfureto de carbono, porta enxertos americanos e outros (…)” (Teixeira, 2017:58). Permitiu igualmente, um recomeço para aqueles que partiam em busca de melhores condições de vida.

As estações “(…) eram não só lugares de chegada para aqueles que nos vinham visitar, mas também de despedida. Os gestos de carinho repetiam-se, entre abraços e beijos, as pessoas subiam as escadas e entravam nas carruagens com a cara lavada em lágrimas e o coração partido” (Teixeira, 2017:57).
U-uuu, pouca terra, pouca terra, u-uuu…
“ Em cada estação havia material para abastecer a locomotiva a vapor, existiam reservatórios de carvão e depósitos de água para guarnecer a caldeira. As estações foram também locais de venda, onde as pessoas se dirigiam após saírem do comboio “ (Teixeira, 2017:43).

Quando se fala da centenária linha, a saudade invade todos aqueles que se lembram da majestosa e velhinha máquina a vapor “(…) quando nos íngremes socalcos os trabalhadores ouviam ao longe o silvo, era um momento de alegria (…) aquele apito único e o seu fumo negro encantavam qualquer um” (Teixeira, 2017:72).
U-uuu, pouca terra, pouca terra, u-uuu…
A linha ferroviária contribuiu para o desenvolvimento das áreas rurais e permitiu que as pessoas se deslocassem de forma mais rápida para todo o lado.

Referência:
TEIXEIRA, L. (2017). Os Trilhos Ferroviários do Douro. Lisboa: Edições Vieira da Silva.

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