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Novos Povoadores

A aldeia foi perdendo população e a jovialidade de outros tempos, revertida, pontualmente, nos Natais, nas Páscoas ou nas festas da Santa Padroeira, em agosto. Eram momentos em que se enchia de risos, crianças e afetos

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Manuela Alves

Natural de Carlão. Inspetora da Educação

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Pertenço a uma geração que nasceu e cresceu numa aldeia transmontana.

Uma aldeia que transbordava de vida e repleta de jovens. Jovens ambiciosos, que procurando um futuro diferente do dos seus pais, tinham de ir para fora estudar e trabalhar. E assim foi.

Mais tarde, constituímos família e fomo-nos fixando e educando os nossos filhos nas várias capitais de distrito ou nas áreas metropolitanas do Porto e Lisboa. Outros emigraram.

A aldeia foi perdendo população e a jovialidade de outros tempos, revertida, pontualmente, nos Natais, nas Páscoas ou nas festas da Santa Padroeira, em agosto. Eram momentos em que se enchia de risos, crianças e afetos. Esses momentos afastavam as saudades que tínhamos dos lugares da nossa infância, mas aumentavam o desejo de voltarmos ao lugar que nos viu nascer.

Infelizmente, a nossa aldeia é o paradigma da interioridade, que se traduz no despovoamento, no envelhecimento e no empobrecimento das regiões do interior.

Assim, naturalmente, muitos de nós, já aposentados ou próximos da reforma, começámos a reconstruir as casas que nos viram crescer, que pertenceram aos nossos pais ou aos nossos avós, embrenhámo-nos na pequena agricultura de subsistência, cultivando uma horta ou mesmo criando galinhas, misturando ensinamentos antigos com os avanços do séc. XXI.

Gradualmente, verificámos que a nossa aldeia deveria desenvolver-se mais e não ficar parada no tempo, na interioridade profunda, e, com espontaneidade, envolvemo-nos nas associações existentes, ou reativámos outras, partilhando experiências e vivências com os pouco jovens que ainda se mantêm ligados à terra.
Envolvemo-nos nas disputas eleitorais, defendendo e exigindo melhores condições para quem aí vive, algo tão simples como o saneamento básico ou os acessos aos terrenos agrícolas.

Assim, a minha geração que: valorizando os nossos recursos endógenos, estimulando projetos estruturantes, alinhando competências e investimentos, criando as condições para a fixação de pessoas e assegurando uma nova vitalidade ao Interior (como referido no Programa Nacional para a Coesão Territorial) pode ser considerada como os “novos” povoadores do Interior.

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