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O Projecto de Investigação arqueológica em torno da Aldeia de Pegarinhos, Alijó

Desde o primeiro momento, o objectivo do projecto teve em conta intrevir nas zonas ocupadas durante a época romana, tendo sido escolhida uma das encostas do Castro de Vale de Mir

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Iniciado em 2012, o Projecto de Investigação sobre a Ocupação Humana em torno da Aldeia de Pegarinhos, Alijó (PIOHP) tem como objectivo descortinar o passado do território actual de uma aldeia do concelho de Alijó, Pegarinhos, centrado-se num dos vestígios arqueológicos mais visíveis e emblemblemáticos de Trás-os-Montes, os castros. Infelizmente, este tipo de estrutura e os seus arredores são muito mal conhecidos, contando-se pelos dedos das mãos os castros que foram escavados em Trás os Montes nas últimas décadas.

Vista geral da zona de escavação
Vista geral da zona de escavação

As intervenções, com uma duração variável entre duas a quatro semanas por ano, trouxeram dezenas de estudantes, investigadores e voluntários portugueses e estrangeiros, para a aldeia de Pegarinhos, concertando a vertente da investigação e didática de técnicas de arqueologia com a apresentação de um território novo a estes voluntários. Este trabalho não seria possível sem o apoio da Porto Gran Cruz, de estruturas locais e, em grande parte também, dos habitantes de Pegarinhos e Vale de Mir.

Desde o primeiro momento, o objectivo do projecto teve em conta intrevir nas zonas ocupadas durante a época romana, tendo sido escolhida uma das encostas do Castro de Vale de Mir. Nesta zona foram detectados vestígios de superfície e, normalmente, aquando da chegada dos romanos, eram selecionadas as encostas a nascente para a construção de novos edifícios de raíz romana.

Os romanos parecem preferir implantar as suas quintas nestas zonas por uma série de motivos: a existência de mão de obra em abundância, a existência de terrenos com potencial agrícola próximos e, ao mesmo tempo, a proximidade de eixos viários ou de centros populacionais onde pudessem vender os produtos da quinta.

Durante as quatro campanhas de escavação, na encosta Este do Castro de Vale de Mir, foram descobertos inúmeros vestígios e antigas estruturas, possívelmente parte da pars rustica de uma villa, ou seja, da área productiva de uma quinta de época romana, datável do século I d.C. Entre outros vestígios, foram descobertos um lagar, um possível celeiro, estruturas de moagem, uma estrutura de tecelagem e tinturaria, em torno de um grande pátio.


Possíveis estábulos, Trás do Castelo

Da estrutura de lagar, infelizmente, apenas restam os tanques revestidos a argamassa. No entanto, durante a escavação da estrutura foi descoberto um denário em flor de cunho, sem marcas de utilização, o que permite datar a construção do lagar no final do século I d.C., sendo até ao momento o lagar de vinho mais antigo no Vale do Douro.
Em 2016 terminou a fase inicial do projecto. Neste momento a equipa está a estudar os vestígios exumados e, brevemente, será iniciada uma nova fase, com novas campanhas de escavação e, esperamos, novas descobertas.

Pedro Pereira e Tony Silvino[1]

[1] Arqueólogos do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Coordenadores do PIOHP. Este texto não obedece ao acordo ortográfico.

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