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O regresso dos filhos da Terra e as romarias

A família aguarda ansiosamente à porta de casa, o reencontro acontece, entre lágrimas, sorrisos, beijos e fortes abraços. Que grande momento de amor e ternura!

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Luísa Teixeira

Natural da Póvoa do Douro. Escritora

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Com a chegada do Verão, os filhos da Terra, estejam no estrangeiro ou em qualquer parte do nosso país, anseiam pelo dia de regresso às suas origens, à Terra Natal, sítio que os viu nascer. Nas malas, transportam os seus pertences, cheios de lembranças e saudades de abraçar família e amigos.

Ao entrarem na aldeia, um misto de recordações invade os seus pensamentos, a buzina do carro entoa a povoação e anuncia a sua chegada, entre gestos e doces palavras, cumprimentam-se.

A família aguarda ansiosamente à porta de casa, o reencontro acontece, entre lágrimas, sorrisos, beijos e fortes abraços. Que grande momento de AMOR e ternura!

A sua chegada coincide com as festas e romarias do Concelho e ao longo do caminho vão vendo os cartazes afixados por todo o lado, que anunciam os programas festivos da sua querida terra e das aldeias vizinhas.

Tradições seculares, que ano após ano, se repetem. Rituais imemoráveis em louvor do Santo ou Santa Padroeira levam crentes e curiosos a visitar misteriosos lugares, recheados de simbolismo. Nesses dias, os espaços sagrados como as ermidas, capelas e igrejas, chamam até si os peregrinos que cumprem e agradecem com emoção as promessas. Assiste-se a intensos momentos de fé.

Os belíssimos arcos, feitos de luz ou de flores e o ruído dos foguetes anunciam o início dos festejos, assim começa a azáfama de todos que participam de corpo e alma para que tudo corra na perfeição.

Na véspera do grande dia, a procissão de penitência, percorre as ruas da povoação, quem a acompanha, segura uma vela, reza e cumpre promessas. O silêncio da oração toca nos corações dos mais isentos de fé. Em algumas aldeias, tal momento é reconhecido pelos ritos antigos, que perpetuam tradições centenárias.

Nessa noite, pede-se imaginação para se enfeitarem os andores, com lindas e maravilhosas flores, verdadeiras obras de arte. Os altares são decorados com muito empenho.

O misto de fragrâncias invade a aldeia. Que cheiro delicioso, a bolas de carne e a diversos tipos de doçarias!

Em certos lugares, a povoação não dorme, com fé, entusiamo e paixão, enfeitam as ruas com deslumbrantes passadeiras de flores.

Com a chegada do grande dia, a alvorada desperta o povo em festa e as bandas filarmónicas dão a arruada. O movimento nas cozinhas começa cedo, com a preparação do banquete. Veste-te a melhor roupa e colocam-se as colchas mais bonitas, nas varandas e janelas.
O altifalante apregoa a hora da missa!

Os foguetes anunciam o início do momento mais aguardado de toda a festa, as crianças trajam com roupas de figuras bíblicas e os filhos da Terra carregam os grandes e pesados andores. A grandiosa procissão, ao som da banda filarmónica percorre as ruas da aldeia e o povo assiste com emoção à sua passagem.

Terminado o ato de fé, a capela ou igreja permanece aberta para quem a desejar visitar, já ao seu lado, têm lugar os bailes ao som dos conjuntos musicais e assiste-se ao arraial. Ali, o sagrado e o profano coexistem harmoniosamente, preservando e enaltecendo o património cultural material e imaterial das aldeias do nosso Concelho.

Para os filhos da Terra, o fim da festa anuncia que a sua partida está próxima!

Chegado o momento, a dor e a angústia invade os seus corações! Mais um ano ou uns meses, sem ver as pessoas que amam. Que saudade! Com o olhar fotografam as faces e os gestos de AMOR de quem deixam para trás, sem saber se depois de partir os voltarão a ver!

As lágrimas inundam os seus rostos e acenam repetidamente até os perder de vista!
O vazio invade quem fica e quem parte!

Até um dia, se Deus quiser!

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