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O TGV

Naquele TGV avançou-se com outro importante desafio. En passant, lamentou-se que haja barcos de cruzeiro que servem à refeição vinho de outras regiões vinhateiras, mas frisou-se bem a importância de unir esforços entre autarquias e empresas privadas para potenciar o Destino Turístico Douro.

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António Martinho

Natural de Santa Eugénia. Professor aposentado

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Ao ler estas iniciais, podemos ser levados a recordar um tema que, há anos, gerou forte polémica na opinião pública nacional – os comboios de grande velocidade. Mas “TGV” não é sinónimo de “Train à Grande Vitesse” – Trem de Grande Velocidade, não. É a designação de um evento, este ano, já na 2ª edição, que o Regia Douro Park organiza, convidando os agentes económicos da região a debruçar-se sobre um, ou três importantes temas – depende da perspetiva – de interesse para a economia regional. Turismo, Gastronomia e Vinhos. Momentos de reflexão académica, de partilha de experiências, de apresentação de bons vinhos.

As reflexões sobre o turismo e o produto estratégico Gastronomia e Vinhos mereceu, também este ano, uma atenção especial. Muito interessante constatar que, no painel em que se abordou o tema das Rotas – “Na Rota de uma Promoção conjunta” – o representante do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto esquivou-se a falar sobre a reativação/renascimento da Rota do Vinho do Porto. Ora, ali por 2010-2011, a Rota dos Vinhos da Bairrada dava os primeiros passos e, em Zamora, de forma muito hesitante, deixou o seu testemunho numa Mesa Redonda sobre Enoturismo.

Agora, em Vila Real, mostrou ter ideias claras sobre a importância das Rotas na criação de experiências turísticas integradas, o que traduz na alteração à sua designação inicial para, agora, Rota da Bairrada. É que as Rotas têm um papel integrador, de agentes, recursos e produtos. Como pode ser no Douro, outra Rota, ou Rede, a das Aldeias Vinhateiras, que a Vila de Favaios também integra. Aqui, o Douro mostra, agora, algumas debilidades. Recua, enquanto outras regiões avançam. Se não seguem a grande velocidade, a verdade é que seguem em frente.

Naquele TGV avançou-se com outro importante desafio. En passant, lamentou-se que haja barcos de cruzeiro que servem à refeição vinho de outras regiões vinhateiras, mas frisou-se bem a importância de unir esforços entre autarquias e empresas privadas para potenciar o Destino Turístico Douro. Designadamente, para motivar os turistas a sair dos 22 km que vão da Régua ao Pinhão, criando boas condições para que subam às zonas mais altas, contribuindo, também assim, para diminuir o risco de zonas de sobrecarga, de excesso de visitantes em simultâneo. Quem o afirmou foi a representante de um operador da área do enoturismo.

Recordo, a ilustrar esta afirmação, o que pude ver, no Verão passado, numa rede social – uma fotografia, que ilustrava a sobrecarga de carros e autocarros na principal rua do Pinhão, com o trânsito parado por largos minutos. Mais um aspeto a ter em consideração na intervenção que urge fazer nesta vila duriense.

É vantajoso que as quintas se abram mais à visitação, considerou outro interveniente. Acrescentaria um “ainda”, porque, felizmente, o que se tem hoje no Douro comparativamente há uns dez ou quinze anos mostra um panorama muito diferente.
Houve, no entanto, uma outra intervenção que me causou aparente surpresa e que registei. Foi proferida por uma jornalista que trata muito a problemática do enoturismo. Mas creio bem que se pode aplicar a todo o setor. Disse assim: «é importante viajar, conhecer outras experiências”. Pois claro. Nesta como em muitas outras matérias. Há quem lhe chame benchmarking! Seja. Importante, mesmo, é desenvolver esse processo de comparação. Para melhorar as nossas respostas. E aumentar a velocidade do desenvolvimento da região.

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