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Passes “transociais”

Já que nos roubam os filhos descaradamente e exterminam as povoações sem dó nem piedade, reconheçam que precisamos de uma distinção positiva e, no mínimo, começar por isentar todos os estudantes e idosos que necessitem de transportes para a sua vida, sem esquecer, obviamente, a abolição de todas as portagens das auto-estradas do Interior

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Jorge Carvalho

Candidato autárquico pelo Bloco de Esquerda no concelho de Alijó

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Ora vamos lá falar dos passes sociais. A minha opinião. Vale o que vale. Mas é minha.
Sou a favor. Mas sou a favor com reticências. Reticências referentes às injustiças sociais geográficas. Ou seja. Vou falar como sendo eu “cá de cima”, mesmo tendo dois irmãos que tiveram de descer lá para ” baixo” para o centro da civilização de Lisboa, onde existem comboios, autocarros, barcos, metros, aviões, auto-estradas, pontes…enfim, onde existem oportunidades!

Aqui, ou seja, “cá em cima”, ou “cá dentro”, no tal local chamado de “Interior” onde os políticos se deslocam de 4 em 4 anos, ou, vá lá, na melhor das hipóteses, quando há catástrofes que liguem os holofotes mediáticos, onde nos extinguiram freguesias, encerraram serviços como hospitais e escolas, eliminaram linhas da ferrovia, entre tantas e tantas outras injustiças, não temos sequer transportes públicos, quanto mais sonhar com um passe mais económico?
Agora, também não vou dizer que eu, de Alijó, estou a pagar o passe do Afonso em Lisboa! Não! Porque amanhã esse Afonso será o meu filho!

Mas digo, sem dúvidas nem arrependimento, que no mínimo, deitei um filho ao mundo, certamente para ver partir e não mais voltar ao “Interior” e eu, que me aguentei “por cá” como outras milhares de pessoas a troco do coração, ganhei – ao chegar perto dos cinquenta anos de idade -, legitimidade para gritar por mim e alguns de nós, a elementar justiça de compensarem a privação e o roubo a que temos estado sujeitos desde 1974. Não foi o 25 de Abril que fez mal ao “Interior”, entenda-se!

Foram sim, todos os políticos e governantes que o têm sustentado como uma democracia que deveria ser equitativa. NÃO! MERECEMOS RESPEITO.

Já que nos roubam os filhos descaradamente e exterminam as povoações sem dó nem piedade, reconheçam que precisamos de uma distinção positiva e, no mínimo, começar por isentar todos os estudantes e idosos que necessitem de transportes para a sua vida, sem esquecer, obviamente, a abolição de todas as portagens das auto-estradas do Interior que demoraram mais de 30 a chegar quando outros já as usufruíam gratuitamente. Um aluno de Freixo de Espada à Cinta colocado em Faro, quanto gasta? Pelo caminho deixa o cinto e a espada! É o mínimo.

Isto não é demagogia, basta irmos buscar o caso do Luxemburgo onde existem passes gratuitos para todos os estudantes, ou à Suíça onde existe apenas um pagamento anual de portagens! E não me venham dizer que são paraísos fiscais, porque o verdadeiro paraíso tem sido Portugal, mas é para os políticos, banqueiros e outras redes tentaculares agarradas à corrupção.

Não quero um país retalhado. Quero um país talhado. Talhado para a justiça da defesa dos mais fracos e desfavorecidos? Quando acontecerá? Não sei! Mas se a democracia foi a substituta da ditadura, está na altura, de arranjar uma substituta da democracia.
Ou, pelo menos, desta democracia.

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