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Pós-incêndio…

Se toda a legislação de defesa da floresta contra incêndios fosse cumprida, com a execução das medidas de gestão no terreno, o combate aos incêndios seria facilitado

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Paula Nunes da Silva

Natural da Chã. Vice-Presidente da Quercus

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No dia 16 de Julho de 2017, iniciou um dos maiores incêndios, senão o maior incêndio florestal do Concelho de Alijó, dos últimos anos. Ardeu o equivalente a 4717 campos de futebol.

Este talvez tenha sido o ano em que mais se falou sobre a temática e se discutiu aquilo que toda a gente sabe, mas não faz! Falo de quem tem responsabilidades governativas, mas também proprietários e sociedade em geral.

Fonte: ICNF 2017

Portugal deve ser dos países que mais figuras legais tem e que não são cumpridas. Falando por exemplo dos planos municipais da defesa da floresta contra incêndios. Estes planos começaram a ser exigidos depois de haver verbas para os GTF, sabem o que é? Gabinetes Técnicos Florestais.

Gabinetes, onde trabalham técnicos que entre outras, têm como função elaborar o Plano Municipal de Defesa de Florestas Contra Incêndios (PMDFCI), que o município tem a obrigatoriedade de fazer cumprir, tal como o Plano Operacional Municipal (POM), o que tem sido negligenciado na maioria dos municípios, sendo também o caso de Alijó.

Se toda a legislação de defesa da floresta contra incêndios fosse cumprida, com a execução das medidas de gestão no terreno, o combate aos incêndios seria facilitado.

Passados cerca de 5 meses, o que se verifica no terreno? O corte raso do material lenhoso, o que de certo modo é benéfico, pois todo este lenho no terreno seria atrativo de pragas e doenças e por outro lado algum encaixe para os proprietários florestais. Mas estes cortes rasos são muito prejudiciais para os nossos solos que já estão desertificados, delgados e pobres, tal como a ausência de qualquer investimento em medidas de contenção de erosão ou uma simples sensibilização e informação às populações por parte do executivo camarário.

Os proprietários agrícolas aguardam algum dinheirinho da medida que foi promovida pelo PRODER (os que submeteram a candidatura), pois os requerimentos que se andaram a fazer e entregar nas Juntas deve ter servido apenas para criar uma espécie de base de dados para enviar uma cartinha de aviso. E em matéria de gestão da ZIF Norte, alguém voltou a ouvir falar?

A Floresta exige mais respeito e interesse. Existe muito para fazer. Devíamos olhar para a floresta com outros olhos no concelho e não só como habitat de caça! Só por lembrete: das florestas depende a qualidade do ar e da água (que é excelente em Alijó!), cogumelos, apicultura, resina, madeira, lenha, cortiça, pastagens … e claro, a caça.

Aguardemos um 2018 mais verdinho, com mais consciência do nosso “Deslumbrante património natural”.

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