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Ser de Direita

Ser de direita é rejeitar a utopia, questionando a possibilidade de construção teórica e predeterminada de sociedades perfeitas, pois todas as tentativas nesse sentido originaram modelos repressivos e policiais, ficando nos antípodas das sociedades perfeitas descritas ou pretendidas pelos seus visionários; Ser de direita é considerar o direito à diferença.

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Alexandre Monteiro Alves

Presidente da Juventude Popular de Alijó

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A possibilidade de vitória, nas presidenciais do Brasil, de Jair Bolsonaro intensificou o debate sobre o crescimento da extrema-direita. O crescimento destes partidos extremistas tem sido uma preocupação na Europa, dada as elevadas percentagens, destes partidos, em países como a Suécia, Itália, Alemanha, Áustria, Hungria ou Holanda. Não é para menos, sempre que o poder político pretende controlar a liberdade das pessoas há razão para repúdio e preocupação.

Contudo não podemos ter uma visão unilateral: não podemos condenar o crescimento dos partidos de extrema direita e ao mesmo tempo considerar que a Coreia do Norte é uma democracia (posição de alguns dirigentes do Partido Comunista Português); não podemos aderir ao movimento “#elenão” e defender como modelo político para Portugal aquele que é exercido em Cuba; em súmula, não podemos indignarmos com o crescimento da extrema-direita e conformarmo-nos com a continuidade da extrema-esquerda. O extremismo é malévolo, independentemente de ser de direita ou de esquerda.

Mas o fenómeno de crescimento da extrema-direita no mundo tem de preocupar, verdadeiramente, o Homem de direita, pois ele reflete a falta de liderança que a Europa, em particular, e o mundo, em geral, atravessa. Um mundo que não tem um Winston Churchill ou uma Margaret Thatcher que o inspire a combater a esquerda com um modelo enquadrado nos verdadeiros valores de direita. Jair Bolsonaro e os seus seguidores não são líderes. Eles representam aquilo que a direita não quer nem pode ser.

Ser de direita é rejeitar a utopia, questionando a possibilidade de construção teórica e predeterminada de sociedades perfeitas, pois todas as tentativas nesse sentido originaram modelos repressivos e policiais, ficando nos antípodas das sociedades perfeitas descritas ou pretendidas pelos seus visionários; Ser de direita é considerar o direito à diferença. Só compreendendo a diferença se pode defender a igualdade, reafirmada no seu sentido mais tradicional e aristocrático da liberdade; Ser de direita é defender o direito à propriedade, afirmando-se como verdadeiro opositor às formas extremas propostas pelo socialismo; Ser de direita é rejeitar a luta das classes.

Os agentes da História dos povos são os grandes Homens, as suas ideias e conceções ou os choques tecnológicos e não a luta das classes; Ser de direita é ser nacionalista, considerar a Nação como valor primordial na ordem temporal; Ser direita é considerar que há uma perspetiva hierárquica e elitista de qualquer sociedade e considerar a anarquia e o igualitarismo como utopias.

Em coerência com estes valores, a direita deve defender uma sociedade inserida sobre um eixo personalista e que valorize a liberdade. Uma sociedade que permite às pessoas escolher e estimular a sua emancipação completa. Uma sociedade que premeia a progressão pelo mérito, configure um ambiente de igualdade e oportunidade, invista na abertura das economias, apoie os mais vulneráveis, proteja a família e defenda a dignidade do Ser Humano.

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